O que acontece quando alguém tem uma overdose de cafeína

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A cafeína é um dos estimulantes mais utilizados no mundo – o consumo de café no Brasil, por exemplo, representa 13% da demanda mundial. E como costumamos consumir a substância no cafezinho do dia a dia ou em chás e energéticos, não passa pela cabeça ser possível ter uma overdose de cafeína. Mas o que acontece com alguém que passa por isso?

Um caso médico relatado no periódico BMJ dá uma noção, contando um caso de uma paciente que consumiu alta quantidade cafeína em pó. Liderado pela médica Rebecca Harsten, do Queen Elizabeth Hospital, em Londres, o relato conta o caso de uma mulher de 26 anos que foi parar no pronto-socorro três horas depois de ingerir duas colheres de chá de cafeína em pó (cerca de 20 gramas).

A FDA, agência americana equivalente à Anvisa, alerta que uma única colher de chá de cafeína em pó é equivalente a aproximadamente 28 xícaras de café. Não é à toa que a substância em pó foi proibida em diversos países e a posse pode até caracterizar tráfico.

“Ingestões de cafeína maiores que 1-2 g causam efeitos tóxicos significativos”, escrevem os pesquisadores. “Overdoses fatais de cafeína ocorreram após ingestões de mais de 5g ou com concentrações de cafeína no sangue maiores que 80 mg/L”.

Os médicos registraram uma concentração superior à letal na paciente, com níveis de cafeína chegando a 147,1 mg/L sete horas depois que ela deu entrada na emergência. Mesmo assim, ela sobreviveu – os pesquisadores disseram ainda que os níveis devem ter chegado a números ainda maiores, já que esse registro se deu após o início do tratamento.

Quando a mulher chegou ao pronto-socorro, estava com palpitações, suor, ansiedade e dificuldade para respirar. Os médicos constataram que ela estava com ritmo cardíaco acima do normal e pressão sanguínea baixa, além de hiperventilação e vômito.

A cafeína em pó tem aparência branca. Imagem: Pikrepo

Um eletrocardiograma revelou que ela estava com taquicardia e os exames mostraram um acúmulo de ácido em seu corpo, chamado acidose metabólica, juntamente com alcalose respiratória (um desequilíbrio de dióxido de carbono e oxigênio no sangue) e uma alta contagem de leucócitos.

A paciente recebeu um tratamento de reposição de fluidos e eletrólitos, mas como sua condição não melhorou, foi transferida para os cuidados intensivos, sedada, submetida a hemodiálise e colocada em um ventilador. Ela também recebeu um tratamento com bicarbonato intravenoso para corrigir o equilíbrio ácido-base, uma droga de sulfato de magnésio para controlar a arritmia e carvão ativado para ajudar a remover toxinas dos rins. Um hormônio chamado norepinefrina (noradrenalina) também foi administrado para combater o efeito da cafeína na pressão sanguínea.

Após dois dias ela foi extubada, tirada da diálise, mas permaneceu sob observação em terapia intensiva por mais uma semana. Um mês após a alta, seus médicos disseram que ela estava bem, recebendo apoio de sua família e tendo um acompanhamento psiquiátrico. Ela também visitou a UTI, para agradecer à equipe que salvou a sua vida.

A paciente disse que comprou 1kg de cafeína em pó por £ 29,99 (R$ 199, na cotação atual). “Minha família e eu ficamos surpreendidos com a facilidade de se comprar uma quantidade tão perigosa de cafeína”, revelou após sair do hospital.

O relato médico é importante porque os médicos afirmam não existir um protocolo oficial para lidar com casos de overdose de cafeína. Segundo eles, a combinação de intralipídeo e hemodiálise poderia “representar um novo e viável tratamento na overdose de cafeína com risco de vida.”

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