Brave é o primeiro navegador com suporte ao protocolo IPFS de navegação descentralizada

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Para quem espera por uma web descentralizada em um futuro imediato, principalmente depois de casos recentes em que grandes companhias de tecnologia desempenharam um papel ativo na formação da nossa democracia, aí vai uma boa notícia: nesta terça-feira (19), o navegador Brave, conhecido pelo foco na privacidade, lançou uma atualização que o torna o primeiro browser a apresentar protocolo ponto-a-ponto (peer-to-peer – P2P) para hospedagem de conteúdo.

Conhecido como Sistema de Arquivos Interplanetário (InterPlanetary File System, ou simplesmente IPFS), o protocolo permite aos usuários carregar conteúdo distribuído por uma rede descentralizada em vez de um servidor centralizado. É uma tecnologia nova, mas que pode servir como alternativa ao Protocolo de Transferência de Hipertexto (HTTP) que domina nossa atual infraestrutura de internet.

“Estamos entusiasmados por ser o primeiro navegador a oferecer uma integração IPFS nativa com o lançamento de hoje para a versão desktop do navegador. Integrar a rede de código aberto IPFS é um marco importante para tornar a web mais transparente, descentralizada e resiliente”, disse Brian Bondy, CTO e cofundador da Brave.

O novo protocolo promete várias vantagens em relação ao HTTP, como velocidades mais rápidas, custos reduzidos para os editores e uma possibilidade muito menor de censura governamental.

“Hoje, os usuários da web em todo o mundo são incapazes de acessar conteúdo restrito, incluindo, por exemplo, partes da Wikipedia na Tailândia, mais de 100 mil sites bloqueados na Turquia e acesso crítico a informações de COVID-19 na China. Agora, qualquer pessoa com uma conexão à internet pode acessar essas informações críticas por meio do IPFS no navegador Brave”, contou Molly Mackinlay, líder do projeto IPFS, ao site Engadget.

Em um e-mail para a Vice, o fundador do IPFS, Juan Benet, disse que acha preocupante que a internet tenha se tornado tão centralizada quanto é hoje, deixando em aberto a possibilidade de que ela possa “desaparecer a qualquer momento” ou “quebrar todos os links” inseridos na rede.

“Estamos pressionando por uma web totalmente distribuída, em que os aplicativos não residam em servidores centralizados, mas operem em toda a rede a partir dos computadores dos usuários. Uma internet onde o conteúdo pode se mover por meio de intermediários não confiáveis, sem desistir do controle dos dados ou colocá-los em risco”, completou Benet.

Após a invasão do Capitólio, o Congresso dos EUA, em 6 de janeiro por extremistas de direita, começou um debate entre os editores e plataformas sociais sobre quais tipos de conteúdo deveriam ser permitidos nesses serviços. O IPFS, em parte, democratizaria a internet ao tirar o controle das mãos de poucas empresas, o que significa que decisões como aquelas de suspender permanentemente o presidente Donald Trump no Twitter ou retirar o Parler de seu serviço de hospedagem seriam decisões muito mais difíceis de tomar no futuro.

A versão 1.19 do Brave já está disponível para download.

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